O joelho pode executar movimentos de flexão, extensão e rotação.
Os ligamentos cruzados são estruturas ligadas à estabilidade do joelho e que estão localizados no centro da articulação. O ligamento cruzado anterior (LCA) assim como o posterior (LCP), são intra-articulares.
O ligamento cruzado anterior tem origem no fémur na porção postero-lateral do intercondilo e insere-se anteriormente à tibia. A inserção tibial é mais resistente que a femural.
Este ligamento possui duas bandas, a anteromedial e a posterolateral, e tem como objectivo resistir ao deslocamento anterior da tíbia e à rotação medial do joelho. Quando há ruptura deste ligamento a tibia projecta-se para a frente do fémur.
As principais funções dos ligamentos do joelho são a estabilização, o controlo da cinemática e a prevenção dos deslocamentos e rotações anormais que podem causar lesões da superfície articular.
Os ligamentos tal como os tendões, são bandas de colagénio denso com pouco material celular que estão preparados para suportar tensões lineares. Ao contrário dos tendões, os ligamentos possuem fibras não tão paralelas e uma quantidade de elastina superior, podendo suportar alongamentos maiores, sem causar danos à sua estrutura. O LCA e LCP apresentam propriedades viscoelásticas, o que permite dissipar a energia, regular o seu comprimento e distribuir a carga aplicada.
A incidência deste tipo de lesões tem vindo a aumentar no sexo feminino, crianças, adolescentes e adultos com idades mais avançadas. Isto ocorre devido ao maior envolvimento em práticas desportivas colectivas e que implicam a realização de movimentos de desaceleração brusca e mudanças de direcção. As mulheres, devido a particularidades anatómicas, hormonais, entre outras, tornam-se mais susceptíveis em a apresentar lesão do LCA.
O tratamento é realizado através da substituição do ligamento lesado por um enxerto substituto. Este enxerto pode ser uma parte do tendão rotuliano, ou tendões dos isquiotibiais, do próprio paciente ou enxertos de cadáveres A sutura directa do ligamento rompido não apresenta bons resultados, sendo o objectivo na cirurgia colocar o enxerto substituto na localização e tensão do ligamento original. O enxerto pode ser fixado através de parafusos, fios e pinos.
A ruptura do ligamento muitas vezes propicia o aparecimento de lesões meniscais, sendo necessário, nesse caso, recorrer à reconstrução do ligamento antes destas aparecerem.
A indicar pelo médico conforme especificidades de cada paciente.
Como em qualquer outra cirurgia, podem surgir diversas complicações, sendo a mais frequente a incapacidade em realizar extensão completa do joelho, que se pode dever à artrofibrose, cicatrização do corte inter-condilar ou à imobilização do joelho em flexão e infecção.
Após a cirurgia o paciente apresenta edema e dor no joelho, devendo utilizar Auxiliares de Marcha sempre que se quiser deslocar. Após mês e meio da cirurgia as Auxiliares de Marcha são retiradas, ou então é mantida apenas uma e fomenta-se a marcha inicialmente em solo estável.
Habitualmente, após 2 meses o edema desaparece totalmente, bem como a dor.
A recuperação muscular é feita de forma faseada e progressiva, sendo inicialmente proibidos os exercícios que exerçam tensão sobre o “neo-ligamento”.